Administrador

Registo: 11 Fev 2006 Mensagens: 203 Local/Origem: Portimão
|
Colocada: Sex Jul 06, 2007 11:41 Assunto: 5. O PAPEL DO FORMADOR |
| |
Introdução
O trabalho de um formador tem alguma semelhança com o de um vendedor, embora seja bem mais complexo. O maior problema é que o formador precisa de fazer uma venda colectiva, vender simultaneamente a diversas pessoas, que têm valores e características individuais bastante diversificados. Esses valores e essas características vão do nível académico aos conhecimentos e interesses, das competências pessoais aos factores de motivação.
Além disso a mercadoria que o formador tem para vender é substancialmente diferente daquilo que é comum: em lugar de vender produtos ou serviços palpáveis e tangíveis, ou pelo menos minimamente visíveis, ele vende ideias, mensagens, conhecimento.
* O trabalho que tem de ser realizado
Para ser bem sucedido na sua missão e objectivos, o formador necessita de assegurar à priori um determinado número de requisitos básicos, mas absolutamente essenciais:
1º - precisa de vender à sua audiência, isto é a cada um dos seus elementos, a ideia da importância da sessão, quer em termos dos benefícios pessoais (aquilo que as pessoas individualmente ganham com isso), quer em termos do seu valor organizacional (aquilo que as organizações têm a ganhar com os benefícios individuais anteriores).
2º - precisa convencer os participantes de que o material que irá apresentar possui relevância, oportunidade e uma vantagem prática genuína.
3º - precisa fazer o grupo reflectir sobre o material e o tema, conduzindo-o e orientando-o a proceder a uma análise séria e objectiva, com vista a que dessa reflexão possam resultar alterações pessoais positivas e duradouras.
4º - durante esse processo de análise, deverá optimizar, ampliar e aprofundar o programa, inserindo-o no contexto real dos participantes, através da colaboração de todo o grupo, trocando ideias e partilhando experiências.
5º - deve igualmente encorajar os participantes a desenvolveram formas de utilizarem e aplicarem o programa e seus conteúdos da melhor maneira possível.
6º - deve promover o entusiasmo do grupo. Isso é inerente à liderança, não depende da tarefa a ser executada. Quanto mais entusiasmo o líder conseguir gerar e quanto mais tempo esse entusiasmo perdurar, maior será a eficácia da sessão.
7º - deve ver-se a si próprio como um elemento da sua própria audiência, assumindo perante os participantes o papel de líder de equipa.
Resumindo: não é fácil liderar com eficácia uma reunião, curso de formação ou sessão de desenvolvimento pessoal. É um trabalho complexo, cheio de responsabilidades e desafios, mas muito gratificante para aqueles que realmente se empenham em fazê-lo bem feito.
Mas como é que um formador consegue cumprir estes objectivos?
É neste momento que a missão da liderança se torna perigosa! É que, face à importância da missão em si mesma, há o risco de o formador se assumir como um show-man, um homem/uma mulher espectáculo, dando maior prioridade ao sucesso do seu espectáculo do que ao aproveitamento dos desempenhos da audiência. Isso é um erro grave e fatal.
* Não monopolize a reunião:
O formador lidera, não monopoliza. Em lugar de impor as suas ideias, deve procurar trazer para a ribalta as ideias do seu grupo. De certa forma, deve agir como um entrevistador, procurando extrair o melhor das pessoas, ou seja aquilo que elas têm de mais interessante e
mais valioso.
* Desenvolva um plano:
Para fazer tudo isto é preciso actuar de acordo com um plano detalhado, feito com a atenção e o cuidado necessários. O que implica, em primeiro lugar, conhecer o tema e o material do qual irá tratar.
Assim:
O formador deve estar bem informado. Nessa informação, inclui-se logo à partida, o ter feito o visionamento do material audiovisual que vai utilizar, mais do que uma vez, e ter lido todo o material de apoio escrito que o acompanha. Só assim se poderá sentir familiarizado e à vontade com o assunto.
Deve ter uma ideia geral das perguntas, objecções e resistências que irá encontrar pelo caminho. Deverá ainda ter esboçado respostas para todas elas. Enfrentar situações difíceis faz parte do processo da liderança e saber geri-las é uma das mais importantes competências de gestão.
Ter um plano de actuação, isto é, uma estrutura que contenha a programação sequencial do que deverá acontecer em sala, também é essencial. Esse plano de acção deve incluir o tempo estimado para a realização das actividades previstas, a prioridade das diversas
actividades (para o caso de ter de eliminar algumas por falta de tempo), e igualmente indicações sobre tópicos opcionais, caso haja tempo, interesse e oportunidade para aprofundar aspectos recorrentes. O plano de acção deverá ajudar o formador a impedir que a reunião saia do rumo, evitando o não cumprimento dos objectivos traçados.
Por último, deverá ter presente que o um plano de acção tem um só objectivo: tirar o máximo de benefícios da sessão, pelo que deve ser elaborado levando em consideração todos os factores que possam prejudicar a aprendizagem e o bom andamento dos trabalhos.
* Lembre-se de que os participantes vieram para participar :
É importante contar com um alargado conjunto de perguntas, casos, histórias, situações e testemunhos que possam fomentar a participação, a reflexão, a criatividade e a troca de ideias sobre o assunto entre os membros do grupo ou da equipa de trabalho.
Um modo simples e prático de obter a participação e o envolvimento da audiência, é dirigir as perguntas a pessoas específicas. Raramente perguntas genéricas dirigidas ao grupo inteiro resultam em participação. Se, mesmo assim, tiver dificuldade em obter reacções ou feedback do grupo, solicite que cada um dos presentes troque ideias com o participante do lado, antes de as compartilhar em plenário, com a totalidade do grupo.
O recurso à realização de exercícios, questionários ou outro tipo de actividade grupal, também incentiva a participação. Uma coisa é ver o formador dizer ou fazer, outra é tentar pôr em prática o que se aprendeu, testando e auto avaliando a prendizagem. A maioria dos seres humanos aprecia ver se consegue fazer as coisas e/ou ver como as coisas funcionam.
Quanto mais forem os participantes a esforçar-se para que a sessão tenha êxito, mais responsáveis se sentirão pela implementação da aprendizagem e mais se irão empenhar e contribuir para o sucesso do encontro. O papel principal é do grupo e dos indivíduos que o compõem ou, utilizando uma expressão em voga, "o centro da formação são os formandos, não o formador".
O formador não deve nem pode actuar à margem do grupo.
* Faça tudo com simplicidade:
O formalismo é frequentemente um dos principais bloqueadores e inibidores da boa performance e participação dos grupos e dos indivíduos. Assim sendo, independentemente da seriedade dos temas ou da presença de hierarquias em sala, a opção pela informalidade é, a maioria das vezes, a melhor decisão.
Entretanto, lembramos-lhe que nesta definição entendemos informalidade como a criação de um clima descontraído e livre de preconceitos, onde todos possam expressar as suas ideias e ouvir as dos outros. O improviso, o descuido ou o desrespeito por valores éticos, profissionais, raciais ou religiosos, estão excluídos deste tipo de ambiência.
O papel do formador é o de garantir que cada um dos indivíduos presentes à sessão tem o direito de se expressar e de poder contar com a atenção dos demais. Só assegurando-se que isto acontece lhe será possível manter o rumo dos trabalhos e o cumprimento dos objectivos a atingir.
* Uma última nota
Ao conduzir uma sessão usando um filme, lembre-se do seguinte:
- Esteja bem informado. Veja o filme com antecedência e, se possível, reveja-o uma e outra vez. Conheça bem o material que vai apresentar, nomeadamente, o material de apoio escrito.
- Seja organizado. Elabore um plano de sessão bem estruturado e que contemple todos os detalhes.
- Comece bem a sua sessão. Procure impactar o grupo logo no início. Aja com naturalidade, mas mantenha-se no controlo da situação. Determine e estabeleça o clima da sessão com as suas palavras iniciais de acolhimento e abertura.
- Não monopolize a sessão. Enfatize a participação de todos. Solicite o envolvimento e o compromisso do grupo. Agradeça, felicite e congratule-se publicamente com as contribuições dos seus participantes.
- Mostre-se agradado com o tema e empolgado com a adesão e interesse do grupo. Assuma uma atitude de disponibilidade e dedicação total. Procure contagiar todos os elementos presentes com o seu entusiasmo.
- Encerre a sessão com uma mensagem positiva e marcante. Ou seja, feche com chave de ouro, elevando assim a motivação do grupo.
- Finalmente: comece bem a sua sessão, iniciando-a com algo que atraia e retenha a atenção do grupo. Para isso conta com um video muito interessante que foi concebido especificamente para ser utilizado em contextos de aprendizagem, sejam eles pedagógicos, lúdicos, estratégicos ou puramente motivacionais. Conta também consigo próprio, pelo que tem tudo para envolver o seu grupo com o tema e seus objectivos. _________________
  |
|